No jardim outonal. O sol nasceu
Outono | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 22 de Maio de 2026 ás 11h 11min
No Jardim Outonal, o Sol Nasceu
Rosy Neves
No jardim outonal, o sol nasceu
como quem desperta um violino adormecido
entre folhas douradas.
As roseiras tremiam de frio leve,
e o vento penteava os caminhos
com dedos de saudade.
Havia um silêncio de catedrais antigas
pairando sobre as flores cansadas,
como se o tempo rezasse baixinho
pela última manhã de setembro.
O sol nasceu...
e cada raio derramado sobre a terra
parecia acender pequenas lanternas
no coração das árvores.
As borboletas, já tão frágeis,
dançavam devagar entre os crisântemos,
como cartas de amor esquecidas
no bolso do infinito.
E eu caminhei sozinho
por aquele jardim vestido de cobre,
ouvindo o rumor das folhas caídas
feito antigos poemas naufragando no chão.
Ó Deus...
como era belo o outono
com sua tristeza iluminada.
Porque até as flores que morrem
sabem guardar o ouro do sol
dentro das próprias pétalas.