O ALIMENTO INVISÍVEL
Poemas | 2025 - Antologia Marlete Dacroce e Convidados - As Sementes do ontem e do amanhã | Amanda MazzeiPublicado em 16 de Janeiro de 2026 ás 21h 35min
Não é só de pão que me alimento,
há fome que não mora no corpo.
Há vazios que pedem sentido,
presença,
tempo.
Eu me alimento do que me atravessa:
das conversas que ficam,
dos silêncios que ensinam,
dos caminhos que me dobram
sem me quebrar.
Há dias em que o alimento é leve,
feito de riso, encontro e afeto.
Em outros, é denso,
exige mastigar a dor,
engolir a perda,
aprender com o amargo.
Me alimento do que sinto
quando escolho ficar,
quando ouso partir,
quando aceito que crescer
também cansa.
O alimento que me sustenta
não vem sempre à mesa.
Às vezes nasce da queda,
da espera,
do recomeço que não foi planejado.
E assim sigo:
nutrindo a alma com experiências,
temperando a vida com consciência,
aprendendo que viver
é escolher, todos os dias,
o que deixo me alimentar
e o que já não me serve mais.