O amor é o remédio da alma

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 27 de Março de 2026 ás 08h 25min

A alma, um quarto escuro

com janelas empoeiradas,

às vezes um eco vazio

de passos que não voltam mais.

O corpo, um navio em mar agitado,

as velas rasgadas pelo vento frio

das dúvidas não ditas,

das mágoas guardadas no porão.

 

Então chega o amor:

não um trovão repentino,

mas uma luz tênue

que se infiltra pelas frestas.

É a água fresca

que alivia a garganta seca

de tanto silêncio.

 

O amor é a pomada suave

sobre a ferida que insistia em sangrar,

a mão firme

que guia o passo incerto

na névoa da incerteza.

Ele não promete o fim das dores,

mas oferece o bálsamo

para suportar o peso.

 

É o calor que dissipa o gelo

acumulado no peito,

o reconhecimento mudo

de que não estamos sós

nesta travessia longa.

Um abraço que desarma as defesas,

desfazendo os nós apertados

que a vida teceu sem pedir licença.

 

A alma respira de novo,

o ar entra limpo, sem peso.

As janelas, limpas,

refletem um pedaço de céu azul,

mesmo que o dia lá fora ainda

esteja nublado.

 

O amor é a receita antiga,

passada de coração para coração,

o ingrediente essencial

para que a maquinaria da vida

continue a girar,

mesmo quando as engrenagens rangem.

 

É a cura lenta,

mas constante,

a certeza silenciosa

de que o pior já passou

ou que, com ele ao lado,

qualquer tempestade

se torna apenas uma chuva passageira,

necessária para que novas flores

possam brotar.

 

O amor é o remédio da alma:

simples, vital,

o único que nunca perde a validade.

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