O anjo que varre lágrimas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 23 de Agosto de 2026 ás 20h 37min
O Anjo que Varre Lágrimas
Rosy Neves
Todas as noites,
quando o mundo adormece
sob o lençol escuro das estrelas,
ele desce em silêncio
e varre as lágrimas
que os humanos deixaram no céu.
Ninguém o vê.
É um anjo calado,
de asas recolhidas
e passos tão leves
que nem a lua ousa acordar.
Silêncio!
Há neblinas em seus olhos,
névoas antigas,
como se dentro deles
morassem invernos esquecidos
e galáxias que aprenderam a chorar.
Seus lábios —
mudos mistérios —
guardam palavras
que talvez tenham sido escritas
antes mesmo do nascimento do tempo.
E os olhos dele...
Ah, os olhos dele
são mais negros e sombrios
que a noite onde as estrelas morreram,
mais profundos que o abismo
entre dois universos.
Quem os contempla
perde por um instante
o caminho de volta para si.
Ele não pergunta
por que os humanos choram.
Apenas recolhe suas lágrimas
uma a uma,
como quem recolhe pérolas
caídas do coração.
E, antes do amanhecer,
quando o céu começa a clarear,
o anjo desaparece...
Deixando apenas
uma pequena estrela acesa
no lugar onde alguém chorou.
Silêncio!
Talvez seja assim
que os anjos amem:
sem palavras,
sem promessas,
sem serem vistos...
Apenas varrendo
as lágrimas do mundo
enquanto todos dormem.