Ó arcanjo

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 17 de Maio de 2026 ás 19h 39min

Ó Arcanjo

 

de Rosy Neves

 

Ó arcanjo,

acende o farol do reino em que tu vives,

pois a noite desceu pesada

sobre os telhados da minha alma.

 

Há neblinas escondidas

entre os caminhos do mundo,

e meus pés cansados

já tropeçam nas sombras

de tantas despedidas.

 

Acende tua chama celeste,

aquela que nenhuma tempestade apaga,

para que eu possa caminhar tranquilamente até ti,

como um peregrino antigo

seguindo estrelas silenciosas

na vastidão do infinito.

 

Os meus olhos anseiam em te ver…

anseiam como o mar deseja a lua,

como a flor noturna deseja o orvalho,

como a ave perdida deseja novamente

o rumo do céu.

 

Ó guardião das alturas,

há dentro de mim um menino aflito

batendo às portas da eternidade,

carregando nas mãos

pequenas lanternas de esperança

quase consumidas pelo vento.

 

Mostra-me ao longe

as torres douradas do teu reino,

onde os sinos dormem em paz

e os rios possuem águas de luz.

 

Que eu veja ao menos

o brilho das tuas asas

rasgando a penumbra desta noite,

para que meu coração descanse

do medo,

da ausência,

e do silêncio profundo

que cobre a Terra.

 

Ó arcanjo…

se ouvires meu chamado,

acende o teu farol uma única vez,

e eu seguirei sua claridade

até o fim dos céus.

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