O arqueiro do silêncio
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 26 de Julho de 2026 ás 22h 17min
O Arqueiro do Silêncio
Rosy Neves
O arqueiro está olhando para baixo.
Astuto. Atento.
Silêncio...
Silêncio...
Nenhuma folha ousa mover-se, nenhum pássaro interrompe o instante. O tempo prende a respiração diante daquele que vigia sem pressa. Seus pés repousam sobre a pedra antiga, enquanto o vento percorre sua capa como se também prestasse reverência.
Vejo os olhos dele arderem em justiça de chama acesa.
Não é a chama da vingança, mas a do equilíbrio; não é o fogo que destrói, mas o que ilumina os caminhos perdidos. Em seu arco dorme uma flecha que conhece o destino antes mesmo de partir.
As montanhas calam.
O mar recolhe suas ondas.
As estrelas escondem o brilho atrás do véu da madrugada.
Silêncio...
Porque o arqueiro escuta aquilo que ninguém mais consegue ouvir: o lamento dos inocentes, o peso das promessas esquecidas e a esperança que ainda pulsa sob as cinzas do mundo.
Quando seus dedos tocam a corda do arco, o universo inteiro parece inclinar-se em oração.
Então, sem alarde, a flecha atravessa o horizonte como um raio de luz.
E onde ela toca, a injustiça perde a voz, a escuridão recua um passo, e um novo amanhecer nasce sobre a terra.
O arqueiro permanece imóvel.
Olhando para baixo.
Astuto.
Atento.
Silêncio...
Pois a verdadeira justiça nunca precisa gritar para ser eterna.