O barco de névoa
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 05 de Setembro de 2026 ás 21h 45min
O Barco de Névoa
Rosy Neves
Eu sou um barco feito de névoa,
navegando silenciosamente
pela vastidão das estrelas.
Não tenho velas,
nem bússola,
nem porto onde repousar.
Apenas sigo…
Longe…
muito longe,
onde a noite se desfaz
nas margens do infinito,
eu ouço a voz do Comandante.
Baixa.
Quase um sussurro
atravessando galáxias
que nenhum humano conhece.
Mas o Comandante
não é deste mundo.
E a névoa que conduz meu corpo
também não pertence a este século.
Talvez tenha vindo
de uma eternidade esquecida,
de algum lugar
onde o tempo não ousa tocar
aqueles que nasceram
para guardar os mistérios.
Ele me observa em silêncio.
Não diz nada.
Apenas observa…
E há qualquer coisa
na profundidade dos seus olhos
que parece chamar pelo meu nome.
Tenho a impressão de conhecê-lo
desde antes das estrelas nascerem,
desde antes de eu ser barco,
desde antes de existir caminho.
Talvez seja um anjo.
Um anjo perdido
entre constelações antigas,
vivendo além do limiar das estrelas,
onde o céu termina
e começa o indizível.
E enquanto ele me observa,
meu barco continua navegando…
Sem saber para onde.
Sem saber de onde veio.
Apenas seguindo aquela voz
que ecoa no silêncio do cosmo,
como se, em algum lugar
além do tempo,
ele ainda estivesse
esperando por mim.
Silêncio…
O Comandante não diz nada.
Mas as estrelas parecem saber
o que seus lábios jamais revelaram.