O BÊBADO
| Crônica | 2025 - Antologia Romeu Donatti e Convidados - Sabores, afetos e Poesia | Pedro Danilo FaoroPublicado em 12 de Maio de 2026 ás 11h 19min
O BÊBADO
Uma família composta por pai mãe e filhos sendo o mais velho conhecido por (Bépi) família de descendência italiana e José era chamado de (Bépi) o pai era chamado pelo nome, Arnaldo não tinha apelido, além de José a família era composta pelo casal Maria e Arnaldo, José e duas irmãs menores, Ana e Carolina, eles moravam em um sitio longe 5 Km de um vilarejo que possuía um armazém que todos chamavam de bodega que era aberto de domingo a domingo onde a vizinhança faziam suas compras e a bodega tinha um espaço para que as pessoas pudessem beber refrigerantes e jogar cartas e até tomar uma cachaça e Arnaldo era um cliente que toda vez que vinha fazer compras bebia mais da conta e voltava embriagado para casa e tinha o mau costume de reclamar com a mulher quando chegava em casa, pois para chegar na casa ele tinha que passar uma pinguela de um riozinho que passava uns vinte metros antes de chegar na casa, mas ele não tinha coragem de atravessar a pinguela e quando chegava gritava assim:
- Maria, vem me buscar.
E Maria com medo que ele caísse no rio vinha e o ajudava a passar a pinguela.
Isso continuou acontecendo durante anos e José observava contrariado com aquela situação, mas não conseguia fazer nada, mas pensava assim:
-Um dia eu vou crescer e como homem não vou mais deixar minha mãe passar por essa humilhação se Deus me der Força e saúde.
Essa situação da mãe ter que ir buscar Arnaldo do outro lado do rio para passar a pinguela durou muitos anos e um dia quando Jose já era um rapaz de 18 anos forte e saudável falou para sua mãe assim:
- Hoje a senhora não vai buscar o pai para passar a pinguela,
E a mãe disse:
- Ele vai brigar comigo filho.
E o filho com voz de homem disse:
- Deixa pra mim mãe, hoje vai acabar esse abuso do pai com a senhora, fique tranquila eu sei o que eu tenho que fazer e vou fazer.
Depois disso o pai foi para a bodega e voltou chapado, ele chegou na pinguela e gritou como sempre fazia e a mãe disse:
-Venha você mesmo, não vou te buscar.
E Arnaldo gritou:
-Venha me buscar, nessa casa quem manda sou eu, faça o que eu digo.
E Maria respondeu:
- Hoje eu não vou e nunca mais eu irei, você tem pernas venha caminhando: Como que para beber você sabe fazer sozinho.
Quando Arnaldo entrou em casa foi até Maria gritando e xingando dizendo palavrões e quando tentou agredi-la, Bepi apareceu, pegou seu pai pelos braços e fez ele sentar no sofá, e com voz firme disse:
- A partir de hoje minha mãe não vai mais buscar o senhor do outro lado da pinguela, o senhor vai passar sozinho.
E assim aconteceu e Arnaldo quando percebia que o filho estava com a mãe passava a pinguela sem chamar e nem gritar, mas um dia Bepi se escondeu e quando Arnaldo chegou não viu o filho, então começou a gritar pedindo para ir buscá-lo foi quando Bepi apareceu então Arnaldo falou:
- Ah você estava escondido né?
E até hoje, quando Arnaldo chega em casa e se o Bepi não aparece, ele pensa que ele está escondido e felizmente a paz e a tranquilidade passou a reinar novamente naquela família
FAORO: Pedro Danilo