O Café que Nunca Esfria
Crônicas | Metade Inteira, Metade Partida: Contos, crônicas, cartas, poemas e histórias de quem vive em pedaços e plenitudes | Silvia Dos Santos AlvesPublicado em 07 de Janeiro de 2026 ás 02h 06min
O Café que Nunca Esfria
Há rituais que nos mantêm inteiros. O café da manhã, por exemplo. Não importa se o mundo lá fora está em ruínas, se os planos se quebraram ou se o coração insiste em se partir. O café, quente e simples, sempre nos devolve ao presente.
Talvez seja o cheiro que desperta lembranças, talvez seja o sabor que nos ancora. Mas há algo nesse gesto cotidiano que nos lembra que a vida continua, mesmo quando tudo parece suspenso.
O café nunca esfria de verdade. Ele aquece mãos, aquece memórias, aquece esperanças. É um convite para recomeçar, para acreditar que, apesar das partes partidas, ainda há inteireza nos pequenos gestos.
E assim, entre goles e silêncios, descobrimos que a vida se sustenta não apenas nos grandes acontecimentos, mas nas pequenas certezas que nos mantêm de pé.
Crônica: O amor que cabe no silêncio
Não é nas grandes declarações que o amor se revela. Ele mora nos detalhes, nos gestos quase invisíveis, nos silêncios que não pesam.
É quando alguém segura sua mão sem precisar dizer nada. É quando o olhar se prolonga um segundo a mais, e nesse segundo cabe um mundo inteiro. É quando o café é preparado do jeito que você gosta, sem que você precise pedir.
O amor não precisa ser barulhento para ser verdadeiro. Ele se constrói na rotina, na paciência, na presença que não exige espetáculo. É feito de pedaços: um sorriso guardado, uma lembrança compartilhada, uma palavra dita na hora certa.
E, mesmo em pedaços, ele permanece inteiro. Porque o amor não se mede pela perfeição, mas pela constância. Ele é o fio invisível que nos sustenta quando tudo parece desmoronar.
No fim, amar é reconhecer que não precisamos de muito. Basta alguém que nos veja — não como partes soltas, mas como inteireza possível.
Silvia Santos
Livro: Metade Inteira, Metade Partida: Contos, crônicas, cartas, poemas e histórias de quem vive em pedaços e plenitudes