O CANTO DAS ÁGUAS
Poemas | Poesia Lírica | Edson BentoPublicado em 22 de Junho de 2026 ás 13h 47min
O Canto das Águas
O canto triste das águas
É um lamento aos meus ouvidos;
Dói ouvir o rio que chora
Ao não ver a vitória-régia desabrochar,
Queria eu, enfim, ter a dor esquecido.
Minhas lembranças no tempo param,
Mas a corrente segue, vagarosa e lenta,
Levando as mágoas num barco de papel;
A flor não veio, a esperança se ausenta
E deixa no peito um amargo fel.
Outrora tudo respirava uma beleza natural,
A natureza pulsava em vida plena;
Hoje, na margem, repousa a canoa,
Oh, meu Deus, manda uma chuva boa!
Pois só rio cheio é cena de beleza calena.
Quem sabe uma chuva, além das lágrimas,
Acorde o broto que o pranto escondeu?
Ou que o sol, ao beijar a margem fria,
Transforme a dor em pura poesia,
No rio calmo que enfim me entendeu.
Mas o homem desmata, polui o que é chão,
O rio se esvai sob a seca que castiga;
O sol queima forte e o verde não vinga,
No leito vazio, sem vida ou pulsação,
Cala-se a água, clamando por salvação.
Edbento