O chamado da alma
Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 25 de Fevereiro de 2026 ás 22h 07min
O chamado da alma,
Um sussurro profundo
Que rasga o silêncio do dia.
Não é melodia suave,
Mas ferro frio na carne,
Um espinho enfiado
Entre as pétalas macias
De uma rosa que nem nasceu.
Dor que não se vê,
Mas se bebe a cada gole.
Um mar vasto de sal,
Lágrimas que não cessam,
Onde todo barco naufraga
E não há terra firme,
Nenhum cais prometido.
A alma clama na secura,
Um grito abafado no peito.
É o deserto da espera,
Areia quente sob os pés nus,
E a miragem constante
De um oásis que nunca chega.
Viver esse chamado
É caminhar com a sede
E a beleza crua
De saber que a jornada
É a própria morada,
Sem porto, sem sombra.