O decreto do grande Rei Arcanjo
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 25 de Agosto de 2026 ás 19h 44min
O Decreto do Grande Rei Arcanjo
Rosy Neves
Silêncio!
O decreto foi acionado
pelo Grande Rei Arcanjo.
E Ele permanece imóvel,
de pé sobre a eternidade,
olhando para baixo…
Silêncio.
Nenhuma estrela ousa mover-se.
Nenhuma galáxia respira.
Até os ventos do infinito
recolheram suas asas.
Então,
o pássaro sagrado canta.
Mas não é um cântico de alegria.
É um presságio.
É um aviso
rasgando a seda escura do céu.
Silêncio…
As árvores estremecem
sem que haja vento,
os mares suspendem suas ondas,
e a lua esconde o rosto
atrás de uma nuvem antiga.
O Grande Rei Arcanjo
não pronuncia palavra alguma.
Seus olhos contemplam o abismo
como quem conhece
o último segredo do tempo.
E o tempo…
Ah, o tempo para.
Para sobre as bordas do mundo,
fica suspenso entre o ontem e o nunca,
como uma lágrima
que se recusou a cair.
Tudo,
absolutamente tudo,
está pasmado atrás das estrelas.
Até os anjos se calam.
Até o Cosmo prende a respiração.
E em algum lugar,
além das últimas constelações,
uma pequena luz permanece acesa…
Talvez seja esperança.
Talvez seja o começo do fim.
Ou talvez…
seja apenas o olhar do Grande Rei Arcanjo
esperando que alguém,
finalmente,
escute o silêncio.
Silêncio!
O decreto foi acionado.
E o céu
já sabe o que virá.