O embaixador dos céus da Turquia

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 07 de Junho de 2026 ás 08h 35min

O Embaixador dos Céus da Turquia

de Rosy Neves

 

Eu juro que vi um anjo no céu profundo da Turquia.

Não era bom nem mau, como contam os antigos contos à luz das lamparinas do deserto.

Era apenas um embaixador, viajante de reinos invisíveis, mensageiro de portas que os homens esqueceram de abrir.

 

Eu juro que o vi.

Sobre os ventos do Bósforo, entre véus de nuvens e silêncio, sua presença pairava como uma oração sem palavras.

Seus olhos eram dois rios finos de estrelas, correndo pela noite eterna, levando luas, constelações e segredos que nasceram antes do primeiro amanhecer do mundo.

Suas mãos curvadas lembravam espadas de matéria desconhecida, forjadas talvez nas oficinas ocultas do infinito, onde o fogo não queima e o tempo não envelhece.

 

Eu juro que vi esse anjo.

As aves silenciaram. O mar recolheu suas ondas. E até as pedras antigas pareceram inclinar-se diante dele.

Nenhuma ameaça havia em seu rosto, nenhuma ternura também.

Somente a majestade serena de quem atravessa os séculos carregando mensagens entre a Terra e as estrelas.

 

Então ele passou.

E sua sombra luminosa deslizou sobre os minaretes, sobre os jardins adormecidos, sobre os sonhos dos homens.

 

Desde aquela noite, quando contemplo o céu, procuro entre as estrelas os vestígios daquele viajante.

Pois eu juro, pelos ventos e pelas águas, que vi um anjo no céu da Turquia —

um embaixador celeste, caminhando sozinho pelas estradas secretas do infinito.

Comentários

Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.