O grande exército

Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 15 de Fevereiro de 2026 ás 10h 46min

O grande exército flutua,

Uma corrente vasta e lenta

Sobre um mar de manhã azul pálido.

 

Eles são os fortes batavos,

Suas sombras compridas sobre convés invisíveis,

Gigantes de um juramento esquecido.

Valentes guerreiros,

Seus rostos firmes como pedra antiga,

Carregando o peso da história

Na maneira como sustentam o ar.

 

À deriva, sim,

Mas não sem propósito,

Como sementes levadas por um vento forte,

Destinadas a alguma praia fértil e esperante.

 

E acima deles, a acolhida,

A acolhida é uma música não ouvida apenas pelos ouvidos.

Os anfitriões são os harpistas anjos,

Suas cordas tecidas de luar e orvalho,

Uma melodia de som puro e elevado,

Antes de o desembarque acontecer.

 

Então, a vanguarda aparece,

Não do horizonte das águas,

Mas das bordas da percepção.

Guerrilheiros do espírito,

Espadas erguidas não para golpear,

Mas para refletir a luz súbita.

 

Eles se movem à velocidade do pensamento,

Esses segundos chegantes,

Silenciosos até o sinal,

O momento da travessia.

 

E o som começa a crescer,

Uma pressão contra o silêncio,

Não de tambores terrenos,

Mas de um anúncio celestial.

 

Trombetas que imitam o trovão,

Não o estalo áspero da tempestade,

Mas o rolar profundo e ressonante

De montanhas que se mexem em seu sono.

 

Eles estão chegando agora,

O exército à deriva, a vanguarda silenciosa,

Chamados pelo lamento da harpa e pelo som da trombeta,

Pousando no limiar

Onde o mar encontra o céu,

Onde os valentes encontram sua recompensa.

 

A grande chegada,

Um encontro de ecos,

Uma sinfonia de regresso a casa.

A deriva termina.

A jornada encontra seu ponto de paz.

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