O grande Rei
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 16 de Maio de 2026 ás 15h 10min
O Grande Rei
de Rosy Neves
No dia em que eu vi o grande Rei,
os meus olhos sentiram medo.
Não foi um medo qualquer —
foi um tremor antigo,
como se minha alma reconhecesse
uma força mais velha que o próprio tempo.
O céu estava imóvel.
As árvores pareciam rezar em silêncio,
e até o vento caminhava devagar,
como quem teme despertar
os segredos do infinito.
Então eu o vi.
O grande Rei vinha vestido
de claridade e sombras.
Em seus olhos havia mares profundos,
tempestades adormecidas,
e uma tristeza tão majestosa
que nenhuma palavra humana
seria capaz de alcançar.
Meu coração tornou-se pequeno.
Pequeno como uma ave ferida
sob a vastidão do firmamento.
Eu quis fugir.
Ah, quis esconder meu rosto
entre as montanhas da terra,
porque havia naquele olhar
algo que atravessava minhas máscaras
e tocava diretamente
a nudez da minha alma.
Mas o grande Rei não ergueu espada.
Não pronunciou condenação.
Seu silêncio era mais poderoso
que mil exércitos.
E foi então que compreendi:
o verdadeiro medo
não nasce da crueldade,
mas da presença absoluta da verdade.
Diante dele,
todos os meus sonhos pareciam frágeis,
todas as minhas certezas viravam poeira,
e meus pecados caiam ao chão
como folhas secas de um inverno eterno.
No entanto,
havia ternura.
Uma ternura escondida
atrás da grandeza terrível de sua glória.
E quando o Rei tocou meus olhos cansados,
o medo dentro de mim
transformou-se lentamente
numa lágrima silenciosa.
Porque descobri, naquela hora,
que até os reis eternos
também carregam cicatrizes
no coração.