O homem que se tornou mar
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 14 de Maio de 2026 ás 18h 43min
O Homem que Se Tornou Mar
de Rosy Neves
Ele navegou tanto, mas tanto,
que já não se sabia onde terminava o homem
e começava o mar.
Seu barco, gasto pelos ventos antigos,
parecia feito da mesma matéria das ondas invisíveis
que atravessam os sonhos dos insones.
Dentro dos olhos dele havia uma noite costurada de solidões.
Nebulosas antigas flutuavam em seu silêncio,
como estrelas cansadas procurando descanso no infinito.
E quando o vento soprava sobre as águas escuras,
eu ainda podia ouvir — tão longe, tão distante —
os sussurros de sua alma errante.
Ele buscava um porto.
Não um porto de mapas ou faróis humanos,
mas um abrigo secreto onde pudesse repousar
a tristeza acumulada nas marés do tempo.
Uma noite apenas.
Uma única noite para ancorar o coração ferido
e se esconder da tempestade sombria e lenta
que habitava dentro dele.
Mas há homens que pertencem tanto ao oceano,
que até o descanso lhes é proibido.
E assim ele continuou navegando…
Perdido entre neblinas invisíveis,
enquanto o mar, silenciosamente,
o transformava em eternidade.