O MAIS IMPORTANTE...

| Poesia intimista | Isolti Cossetin
Publicado em 01 de Junho de 2026 ás 17h 31min

QUEM AMA CURA

QUEM AMA PROTEGE

QUEM AMA NÃO FERE...NÃO MALTRATA...

NÃO MATA...

NÃO ACEITE NENHUMA FORMA DE VIOLÊNCIA!

CUIDE DO MAIS IMPORTANTE: VOCÊ

Na minha juventude construí um castelo para chamar de lar.

Conheci alguém que pensei ser o meu príncipe encantado.

Ele sorriu e me prometeu o céu.

Entreguei meu sonho sem medo.

Mas o brilho virou sombra e a porta da vida aos poucos foi se fechando.

O ciúme enredou nossos dias como espinhos...

A possessividade cortou as palavras, uma a uma.

Agressividade virou rotina, silêncio foi sentença...

Fui refém do mesmo amor que eu um dia alimentei.

Vinte e oito anos de muros e correntes, de olhar que dominava.

Aprendi a medir a respiração para não provocar tempestades.

Aprendi a não perguntar, a obedecer ao relógio do outro. Tudo era medido, cronometrado. ..

Até que a teia do narcisismo estourou por dentro...

E uma decisão pequena, tremendo, começou a fazer espaço.

Rompi o que me prendia, pé por pé, noite por noite.

Juntei os cacos e saí carregando marcas que o tempo não apaga, mas ensina a guardar...

Oito anos livre e ainda sinto o eco daquele castelo desmoronando dentro de mim.

As lembranças são mapas com pontos doloridos, são armadilhas prontas a me ferir...

Reaprendi a dizer meu nome sem pedir licença.

Meus filhos e eu costuramos novos dias com fios de coragem e esperança...

Hoje meu corpo tem cicatrizes que brilham como mapas de sobrevivência.

Ainda há noites em que a sombra passa pela porta, mas eu acendo a luz.

Minha voz voltou a ser um canto.

Não sou apenas vítima das memórias, sou autora do meu recomeço.

Cada passo é resposta ao medo que um dia me calou.

As flores que plantei no quintal não esqueceram de nascer.

E quando me olho no espelho vejo uma mulher que aprendeu a perdoar o próprio tempo.

Hoje celebro o amor que me salvou: o amor que veio de mim mesma.

Não apago as marcas, transformo-as em história, em farol, em lar.

Sou fogo e também cura, e ainda que as sombras me toquem, eu sei voltar para a luz

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