O mar ainda costura saudades
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 30 de Março de 2026 ás 19h 37min
Eu vi a saudade tecer um caminho invisível
no rosto antigo do mar —
como se mãos de silêncio bordassem
as margens do infinito.
E ali, onde o vento sussurra nomes perdidos,
os navios corajosos atravessavam destinos,
levando nos porões não só sonhos,
mas despedidas que nunca voltariam.
Cada vela erguida era um adeus suspenso,
cada horizonte, uma promessa ferida.
E os olhos que ficavam na areia
aprendiam a chorar em silêncio salgado.
Dizem que o mar guarda segredos,
mas eu sei — ele guarda ausências.
São lágrimas antigas que nele repousam,
ecoando vozes que o tempo não apaga.
Por isso ele é salgado:
não de tempestades ou de abismos,
mas da dor mansa de quem espera
e da coragem triste de quem parte.
E até hoje, quando as ondas respiram na noite,
é a saudade que caminha sobre elas —
invisível, eterna,
costurando o mundo com fios de ausência.