Ó mar de fragata

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 14 de Maio de 2026 ás 20h 31min

Ó Mar de Fragata

 

de Rosy Neves

 

Ó mar de fragata,

eu penteava os teus cabelos

cheios de ondas,

com o meu barco sucumbido de sonhos...

 

E cada remo perdido na espuma

era uma oração antiga

afundando devagar

nas profundezas invisíveis da noite.

 

Teus ventos tinham perfume

de tempestades esquecidas,

e as gaivotas riscavam o céu

como cartas nunca entregues

aos navegantes do infinito.

 

Ah, mar errante...

quantas luas eu deixei cair

sobre os teus ombros salgados?

Quantas estrelas mortas

escorreram silenciosas

pelas veias do teu horizonte?

 

Meu barco era pequeno,

feito de saudades e névoas,

mas dentro dele dormiam

mil constelações feridas,

procurando um porto

para repousar o coração cansado.

 

Então eu penteava tuas ondas,

uma por uma,

como quem acaricia

os cabelos de um velho deus adormecido...

 

E o mar me olhava em silêncio,

com seus olhos profundos de abismo,

enquanto a noite costurava

conchinhas de luz

nas margens secretas do universo.

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