Ó meu Deus
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 11 de Maio de 2026 ás 17h 19min
Ó meu Deus,
por que meus olhos se perdem tanto
nas estradas acesas das estrelas?
Por que meu peito se inclina à noite
como um lírio sedento de infinito?
Dá-me uma resposta,
um sopro,
um silêncio que saiba meu nome.
Um aceno qualquer
entre as nuvens errantes do universo.
Talvez eu olhe as estrelas
porque há constelações feridas
morando dentro da minha alma.
Talvez eu procure no céu
os pedaços de luz
que a vida deixou cair em mim.
Ó Deus,
há noites em que o mundo é tão pequeno
e o coração tão vasto,
que só o firmamento consegue
compreender meus abismos.
Quando ergo os olhos ao infinito,
sinto que alguém me escuta
atrás das nebulosas:
um velho marinheiro celeste
vigiando meu barco à deriva.
E eu continuo olhando…
como quem espera uma carta
escrita pelo vento,
como quem busca um lar
além das galáxias esquecidas.
Dá-me um sinal, Senhor.
Nem precisa ser um milagre.
Pode ser apenas
uma estrela cadente
atravessando devagar
a noite dentro de mim.
Porque às vezes penso
que nasci feita de céu,
e por isso meu espírito
vive tentando voltar
para alguma eternidade
que meus olhos ainda lembram.