Ó meu Deus
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 06 de Junho de 2026 ás 19h 58min
Ó Meu Deus!
Ó meu Deus, por que fui olhar para o rei?
Sangram os meus olhos desde aquela hora, como duas romãs abertas à beira do antigo Bósforo, onde os ventos carregam segredos de sultões e estrelas.
Eu era apenas um viajante, um pobre guardador de sonhos, caminhando pelas ruas de pedra da noite infinita.
Mas vi o rei.
E havia em sua face uma luz antiga e terrível, como o primeiro amanhecer que nasceu sobre o mar.
Ó meu Deus, por que fui erguer os olhos?
Agora não encontro repouso. As luas passam silenciosas, os minaretes conversam com o céu, e meu coração permanece acordado, como uma lâmpada solitária ardendo no deserto.
Sangram os meus olhos, não pela dor, mas pelo excesso de beleza.
Quem contempla o fogo sagrado leva para sempre sua marca.
E eu caminho, entre sombras e jasmins, carregando dentro da alma a lembrança daquele instante,
quando vi o rei e o mundo inteiro transformou-se em saudade.