O meu Eu lírico
Poemas | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 10 de Janeiro de 2026 ás 15h 54min
O meu Eu lírico,
soltando amarras terrestres,
um balão de seda
desprendendo-se da mão.
Vai,
flutua para além do azul,
cruza a tênue fronteira
onde o ar rareia,
onde o sol é um farol distante,
uma promessa esquecida.
Mergulha, agora,
no negro aveludado do espaço,
no vazio sem fundo,
no silêncio que grita
constelações antigas.
E cada estrela,
um ponto de interrogação,
um espelho turvo
refletindo fragmentos
de um passado distante,
de sonhos desfeitos.
Lá embaixo,
a Terra, um grão de areia,
uma lembrança vaga,
uma melodia antiga
desvanecendo no vento.
O Eu lírico,
perdendo-se na vastidão,
diluindo-se no éter,
tornando-se poeira estelar,
matéria escura,
eco longínquo.
Sem medo,
sem angústia,
apenas a entrega,
o abandono total,
a dissolução completa
no infinito inóspito.
E nesse mergulho,
talvez,
encontre a si mesmo,
a essência primordial,
o princípio e o fim,
o vazio pleno.