O mosterio na montanha
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 30 de Setembro de 2026 ás 06h 35min
O Mosteiro na Montanha
Rosy Neves
A neblina da montanha se abriu devagar,
como um véu esquecido pelos deuses,
e revelou, no alto do silêncio,
um mosteiro perdido entre as nuvens.
Nenhum sino tocava.
Nenhuma janela guardava luz.
Apenas a noite respirava
sobre as pedras antigas.
Então veio o navio de névoa,
sem velas, sem remos, sem destino,
e eu subi em seu convés
com o coração cheio de perguntas.
Ele me levou por mares que não existem,
por vales onde a lua adormece,
por caminhos que desapareciam
antes mesmo de serem percorridos.
Mas nunca chegava.
Quanto mais o mosteiro se aproximava,
mais distante ele se tornava.
E eu perguntava ao silêncio:
— Amado meu,
quando revelarás para mim
os lírios dos teus pés?
Talvez estejam escondidos
sob as pedras daquele mosteiro,
talvez floresçam onde a névoa
guarda os nomes que ninguém pronuncia.
Talvez tu estejas lá,
atrás de uma porta sem maçaneta,
esperando que eu descubra
a palavra que abre o céu.
E o navio continua...
Leva-me lentamente
por um mar sem margens,
enquanto a montanha desaparece
dentro da própria neblina.
E ainda espero.
Porque há amores
que não chegam pela estrada,
nem pelo mar,
nem pelas estrelas.
Chegam quando o mistério
finalmente decide
revelar o rosto.