O navio da fronteira

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 13 de Maio de 2026 ás 21h 58min

O Navio da Fronteira

 

de Rosy Neves

 

Há um navio ancorado

na beira do mundo,

onde o céu derrama névoas

sobre o abismo profundo.

 

Não pertence à Terra

nem aos mapas do mar,

pois nasceu entre estrelas

que desaprenderam de brilhar.

 

Seu casco é feito

de silêncio e eternidade,

e suas velas guardam

o perfume antigo da saudade.

 

Os tripulantes

não possuem nome nem idade,

são marujos errantes

da infinita imensidade.

 

Vivem à deriva

pelos oceanos do invisível,

atravessando constelações

num caminho impossível.

 

Há nos olhos deles

uma tristeza devagar,

como luas apagadas

cansadas de esperar.

 

E quando a noite desce

sobre os telhados do infinito,

ouve-se um canto distante,

tão melancólico e bonito.

 

Ouve… ouve em silêncio…

Os marujos a cantar.

Suas vozes são correntes

balançando sobre o mar.

 

Cantam para estrelas mortas,

para deuses esquecidos,

para os sonhos naufragados

nos universos perdidos.

 

E o navio permanece

na fronteira do além,

esperando algum viajante

que nunca volte também.

 

Talvez um dia eu embarque

nesse mar sem direção,

para velejar eternamente

pelas marés da solidão.

 

E então, junto aos marujos,

sob um céu sem fim nem cor,

cantarei baixinho às sombras

o último hino do amor.

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