O oroxir
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 24 de Julho de 2026 ás 18h 59min
O Oroxir
Rosy Neves
Lá onde está escondido o Oroxir,
a bebida proibida pelos deuses antigos,
o tempo não caminha —
apenas respira em silêncio.
Dorme sob a sombra do templo sagrado,
onde colunas de pedra sustentam
o peso invisível das estrelas,
e o vento recita nomes esquecidos.
Ali repousa um Rei Arcanjo,
com as asas fechadas sobre o próprio destino,
como quem vela o limiar
entre a eternidade e o último suspiro.
Silêncio...
Não despertes a luz que dorme.
Há trombetas ainda mudas,
há constelações curvadas em oração,
há lágrimas que nem o céu ousou recolher.
Escuta...
O pássaro sagrado canta.
Seu canto não é de alegria,
mas de um temor antigo,
nascido antes mesmo da primeira aurora.
Em seus olhos habita
a sombra sombrolenta do presságio;
suas penas estremecem
como folhas diante da voz do infinito.
Silêncio!
O Rei Arcanjo está prestes a despertar.
As portas do templo estremecem,
o firmamento prende a respiração,
e até as estrelas escondem o próprio brilho.
Pois quem provar do Oroxir
beberá não o vinho dos deuses,
mas a memória secreta da eternidade,
onde toda lágrima se transforma em luz,
e todo silêncio revela, enfim,
o nome que jamais deixou de existir.