O pássaro de asas feridas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 17 de Maio de 2026 ás 18h 00min
O Pássaro de Asas Feridas
de Rosy Neves
Na grande noite calada,
o pássaro de asas feridas
repousou-se longe.
Longe da algazarra dos dias,
das sombras que se alongam,
do eco das palavras não ditas.
Em um retiro espiritual,
um santuário de silêncio,
onde o tempo se derrete em névoa.
Uma torre erguida em pensamentos,
feita de luares fragmentados,
de estrelas que piscam em melancolia.
Não há gaiolas aqui,
nem grades a confinar o voo que foi,
ou o voo que ainda sonha ser.
As penas arranhadas pelo vento,
as asas que conheceram a dor,
encontram alívio na quietude.
A lua, em mil pedaços,
reflete no espelho da alma,
uma beleza frágil e profunda.
Os sussurros das sombras distantes
tornam-se meras lembranças,
apagadas pelo véu da serenidade.
O pássaro respira fundo,
o ar puro da solidão escolhida,
um bálsamo para o corpo cansado.
Ele observa o firmamento,
os rastros de cometas apagados,
a dança lenta das constelações.
E no âmago do seu ser,
uma brasa de esperança se acende,
pequena, mas persistente.
As asas feridas,
que pareciam seladas para sempre,
sentem um leve formigar.
Não é a cura imediata,
nem o esquecimento total,
mas um aceitar sereno.
A torre de névoas o envolve,
um abraço gentil da noite,
protegendo-o do mundo lá fora.
As luas partidas,
como espelhos da sua própria fragilidade,
trazem um estranho consolo.
Ele aprende a ser,
apenas a ser,
sem a pressão de voar alto.
Na grande noite calada,
o pássaro de asas feridas,
encontra em si mesmo,
um novo horizonte.
Um retiro que não é fuga,
mas um reencontro,
com a força que reside na quietude.
E as asas, mesmo marcadas,
guardam a promessa silenciosa
de um novo amanhecer,
em um tempo que ainda virá.