O pequeno pássaro não canta mais
Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 13 de Fevereiro de 2026 ás 20h 28min
O galho permanece
vazio agora.
O sol da manhã
despeja sua luz dourada
sobre as folhas,
mas falta um som.
O pequeno ser emplumado,
aquele que trazia melodias
no ritmo da brisa,
não está mais aqui.
Ele se foi.
Não por falta de asas fortes,
nem por medo do predador oculto
na sombra densa da mangueira.
O voo cessou,
o impulso se apagou.
Ele pousou no silêncio,
no jardim que antes celebrava
cada gorjeio matinal.
As asas, antes ferramentas de liberdade infinita,
agora repousam imóveis,
pesadas de uma ausência.
Ele sente falta da tua voz,
do cheiro suave da tua mão
quando oferecias a migalha,
do modo como sorrias
ao ouvir a canção que ele cantava só para ti.
A saudade,
esse pássaro invisível que aninha no peito,
é mais pesada que o ar.
Ele não consegue erguer-se contra ela.
O céu é vasto, sim,
mas sem o teu olhar para testemunhar o voo,
sem a certeza do teu acolhimento ao retornar,
para que serve a altitude?
Para que subir, se o ninho
é a lembrança de um calor
que não se repete na nuvem passageira?
Ele prefere a terra firme,
a espera quieta sob a copa da árvore,
onde a sombra parece mais próxima
da sombra da tua presença.
O pássaro não voa mais.
Ele guarda a memória do som da tua risada
como um tesouro frágil,
e essa memória é âncora,
um belo, mas imutável,
motivo para ficar parado.
O vento passa por ele,
sussurrando convites ao horizonte,
mas ele escuta apenas o eco da tua partida.
E assim permanece,
um ponto imóvel de melancolia suave,
esperando um reencontro
que só existe no sonho.
O voo é para quem tem para onde ir.
Ele só tem para onde sentir.