O Pobre Balão

Fábulas | Rose Correia
Publicado em 03 de Janeiro de 2026 ás 08h 48min

Sinopse:

Um balão, antes símbolo de festa e alegria, é abandonado após o fim da celebração e passa a vagar sem rumo por uma rua deserta. A parábola revela, de forma explícita, como muitas relações humanas se sustentam apenas enquanto há utilidade, brilho ou conveniência — e como o abandono surge quando a festa acaba.

 

O Pobre Balão 

 

Na rua deserta, sem rumo e sem direção, ia rolando o pobre balão.

Na noite anterior, fora motivo de festa: pairava orgulhoso entre drinks e brindes, embalado por canções, cercado de abraços, beijos e apertos de mão. Todos o queriam por perto enquanto havia alegria a enfeitar o ambiente.

Mas a música cessou.

As luzes se apagaram.

As pessoas foram embora.

Sozinho, o balão descobriu que não tinha mais função. O vento o empurrava para qualquer lado, pois quem é vazio por dentro não escolhe caminho. Ontem, enfeite admirado; hoje, resto esquecido no chão.

Arrastava-se sem beleza e sem valor, não porque tivesse mudado, mas porque já não servia à euforia de ninguém.

E ali estava a lição, clara como o silêncio da rua:

muitos só permanecem enquanto somos úteis à festa deles. Quando o brilho acaba, o abandono começa.

O pobre balão não perdeu seu valor — foram os outros que nunca o enxergaram além do enfeite.

Moral: Ser útil não é o mesmo que ser importante.

Comentários

Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.