O relógio não está quebrado

Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 13 de Fevereiro de 2026 ás 21h 26min

O relógio do tempo, 

uma máquina invisível, 

seu tique-taque profundo, 

não se ouve, mas se sente 

no pulsar lento das marés. 

 

Nunca quebrou, dizem, 

embora os ponteiros se escondam, 

esquecidos sob camadas 

de poeira dourada e esquecimento. 

 

Um mecanismo perfeito, 

não se dobra à pressa humana, 

nem se apressa ao meu desejo impaciente. 

Ele simplesmente é, 

tece a noite e o dia sem alarde. 

 

E eu, 

navegando em mares de agora, 

busco um norte, 

uma direção certa 

sob este céu vasto. 

 

Uma bússola antiga, 

talvez feita de fé e sussurros, 

aponta sem agulha visível, 

me chama com uma força suave, 

sempre para o Norte. 

 

O Norte que não é geográfico, 

mas sim um lugar da alma, 

onde a luz se filtra de um jeito diferente. 

 

Lá, o céu não é azul comum, 

mas sim uma tapeçaria tingida 

de uma névoa que perfuma o ar, 

leve como o hálito da manhã. 

 

Um cheiro que não se descreve, 

mas que a memória reconhece, 

uma promessa antiga cumprida no instante. 

 

E os jasmins, 

flores brancas e pequenas, 

exalam sua essência doce, 

um convite persistente. 

 

Seus aromas sobem, 

misturando-se à névoa perfumada, 

criando um bálsamo para a mente errante. 

 

O relógio segue, silencioso, 

e a bússola, teimosa, 

insiste no caminho do perfume, 

na direção daquele céu suave, 

onde o tempo, talvez, 

se curve um pouco mais 

para me deixar respirar 

o pólen do eterno. 

 

Continuo andando, 

guiado por um cheiro, 

esperando chegar 

àquele ponto norte 

onde o tempo se faz beleza 

e o ar é feito de jasmim.

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