O silêncio não é um castigo

Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 13 de Fevereiro de 2026 ás 21h 04min

 

 

 

O silêncio antes do amanhecer,

esse profundo repouso sem respiração,

não é o vazio.

 

Não é o anjo, com asas cerradas firmes,

punido pela distância,

ou simplesmente ausente.

 

O silêncio do Arcanjo,

um vasto e profundo lago de quietude,

é um escudo tecido.

 

Uma membrana fina como a luz da lua,

guarda as bordas macias do seu sono,

desviando os ventos fortes do mundo acordado.

 

Não é um afastamento,

um virar as costas para as pequenas coisas

tremulantes que esperam florescer.

 

É preparação.

A respiração profunda antes de um grande voo,

a afinação de uma corda invisível.

 

Portanto, pequenos,

desfaçam os punhos cerrados de seus medos de acordado,

deixem os pálpebras tremeluzirem abertos, apenas uma fresta.

 

Olhem além do teto, além do telhado,

além do azul familiar do céu comum.

 

Vão agora, aventurem-se adiante,

para o país feito de sonho.

 

Ali, além da agitação da corrente conhecida,

o rio flui,

um laço de prata líquida capturando luz

de solos distantes e ardentes.

 

E na margem oposta,

um jardim espera.

 

Não rosas da terra comum,

mas pétalas tecidas do pó das nebulosas,

e folhas que sussurram segredos antigos e gentis.

 

O silêncio do Arcanjo

é o caminho desimpedido para vocês,

o solo macio e seguro

sobre o qual suas sementes mais selvagens e brilhantes

podem finalmente enraizar.

 

Vão sonhar as cores que apenas a luz das estrelas conhece.

Vão percorrer esses caminhos silenciosos e adornados de jóias.

A proteção segura.

O jardim convida.

Vão sonhar.

 

 

 

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