O teu lar é as estrelas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 20 de Março de 2026 ás 06h 52min
Avante, menina —
a brisa te chama,
um sussurro salgado
na beira da manhã.
Não olhes para trás:
as âncoras pesam
na areia dos dias passados,
onde a sombra se deitava.
Teu corpo é pequeno,
mas a alma, um navio
com velas de sonho
pronto para o infinito.
Avante, a correnteza
te embala gentilmente
para longe do porto seguro
que agora te aperta.
O mar é vasto,
azul profundo e promessa
de horizontes que nunca findam —
apenas se transformam.
Não temas a onda alta:
ela é apenas o caminho
que te ensina a dançar
a firmeza do leme.
Teu destino é o mar,
seu espelho gigante
que reflete o céu
e te devolve a força.
Sente o spray no rosto,
salgado e libertador —
cada gota, uma certeza
de que pertences à jornada.
Teu lar, as estrelas:
pontos de luz distantes,
guias silenciosas na noite escura,
mapas bordados no veludo negro.
Olha para cima
quando a terra parece sumir —
elas te lembram a altura
a qual podes ascender.
Avante, menina —
os ventos mudam,
trazem cheiros de terra nova
e mistérios ainda não contados.
Que a tua bússola interna
seja a coragem,
o motor que impulsiona
além do que se vê.
Navega, sem pressa
mas sem parar —
cada remada é um verso
escrito na água viva.
O horizonte se curva
para te receber,
o vasto azul te espera
e tu, a navegadora.
Avante, com fé singela:
o oceano é teu espelho maior,
refletindo a grandeza
que em teu peito reside.
Que teu barco seja leve,
mas teu espírito, rocha —
firme contra a maré,
sempre em direção à luz.