O veleiro dos velames do fim
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 26 de Setembro de 2026 ás 06h 38min
O Vento nos Velames do Fim
O veleiro, na encosta do mundo,
espera a maré alta que o leve.
O céu — um manto azul, tão profundo —
guarda um eco antigo que se atreve.
A madeira geme sob o sal,
memória de viagens esquecidas;
um sol que se esvai, quase irreal,
pinta as nuvens de despedidas.
Sonhos esquecidos sobre o convés,
canções de amores tão distantes;
o tempo — um rio que perdeu os pés —
e a alma em ânsias incessantes.
E quando o vento tocar os velames,
talvez o mar revele seu segredo;
há despedidas que não têm cais,
nem retorno, nem nome, nem medo.
O veleiro partirá em silêncio,
levando estrelas no peito cansado;
e eu ficarei olhando o horizonte,
onde o fim parece nunca ter chegado.