O veleiro na encosta do mundo

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 31 de Julho de 2026 ás 12h 04min

O Veleiro na Encosta do Mundo

 

Rosy Neves

 

Eu vi um veleiro silencioso

na encosta do mundo,

onde o horizonte costura o céu

com fios antigos de eternidade.

 

As velas não dançavam ao vento;

eram feitas de névoa e lembranças.

O mar parecia prender a respiração,

como se esperasse uma palavra

que jamais seria dita.

 

Havia um marinheiro,

sujo de sal e de mar,

com os olhos profundos

como abismos que conheceram

o primeiro amanhecer da criação.

 

Sua voz era irreal,

misteriosa como o próprio silêncio.

Não chamava meu nome,

mas minha alma o reconhecia.

 

— Vem...

 

E o eco atravessava

as águas adormecidas,

as estrelas cansadas,

os confins do tempo.

 

Silêncio...

Silêncio...

 

Até as gaivotas recolheram o voo,

e o universo curvou a cabeça

para ouvir aquele chamado.

 

Eu permaneci imóvel,

entre o medo e o encanto,

enquanto o veleiro desaparecia,

lentamente,

na encosta do mundo,

onde os sonhos antigos

aprendem a navegar para sempre.

Comentários

Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.