O véu negro

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 30 de Abril de 2026 ás 13h 46min

O Véu Negro

 

Ela se movia

sob um manto escuro,

um véu negro

que o vento

desenrolava em dança.

 

Um véu que acariciava

o contorno do seu rosto,

escondendo mais do que mostrava,

guardando um segredo mudo

na sua transparência escura.

 

E os olhos, ah, os olhos,

escondidos sob a fina trama,

eram portos de um pranto sem fim.

Lágrimas que corriam,

constantes,

quase um oceano contido,

uma maré que ameaçava transbordar

a cada passo hesitante.

 

Cada gota, uma onda,

cada suspiro, uma correnteza,

levando consigo pedaços de luz,

fragmentos de um sol distante

que já não a aquecia.

 

O negro do véu

misturava-se ao negrume do céu interior,

uma tela de solidão,

onde nuvens de dor

se formavam e se desfaziam.

 

O mundo, lá fora,

continuava seu curso indiferente,

mas para ela,

cada folha que caía

era um eco do seu pesar,

cada rajada de vento

um sussurro de lembranças.

 

Seus pés descalços,

ou talvez calçados de um pesar pesado,

tateavam o chão

como quem busca um porto seguro

em meio a uma tempestade

que só ela sentia.

 

O véu dançava,

mas era uma dança melancólica,

um remexer de tristezas antigas

e novas dores que se aninhavam.

E as lágrimas,

o oceano em seus olhos,

refletiam um céu sem estrelas,

um futuro incerto,

um presente dilacerado.

 

Ela caminhava,

uma silhueta imersa na sombra,

carregando em si

a imensidão de um sentimento,

um universo de lágrimas

que o véu negro

tentava, em vão,

esconder do mundo.

 

Mas o vento, cúmplice mudo,

revelava a profundidade

daquele oceano

que ela levava

dentro de si.

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