Ode a Maria Firmina dos Reis.

Homenagens | Literatura Negra | Keila Rackel Tavares
Publicado em 20 de Maio de 2026 ás 18h 20min

Ode a Maria Firmina dos Reis*  

*Keila Rackel Tavares*

 

Maria Firmina, que nome de força  

Nasceu lá no Norte, em Guimarães do Maranhão  

Filha de gente preta, de luta e de prosa  

Virou rainha da pena, da letra e do coração  

 

Não foi qualquer Maria, não senhor  

Foi mestra, foi negra, foi voz de trovão  

Fundou escola mista, veja que primor  

Menino e menina estudando no mesmo salão  

Primeira do Brasil, quebrou o padrão de uma nação.

 

Mulher letrada num tempo amarrado  

Onde livro para negra era coisa que não se via não, parecia mais ilusão, sonho para quem não tinha o direito de acreditar em si mesma.

Mas, ela pegou pena, papel, e com ousadia 

Escreveu _Úrsula_, romance de abolição,  

Primeira romancista do Brasil, meu irmão!

 

Abolicionista antes da Lei Áurea chegar  

Botou na boca do escravo a dor e a razão  

Denunciou o chicote, o tronco, o penar  

Quando muita gente fina ainda batia no chão  

 

Professora por concurso, passou em São Luís  

Com nota alta, com mérito, com retidão  

Compôs música, escreveu conto, jornal e muito mais...

Tudo isso no século XIX, preste atenção! 

 

E você, eu me pergunto: já tinha ouvido falar?  

Pra ser bem sincero, na escola não vi não  

Aprendi foi depois, de tanto fuçar  

Porque herói preto nesse Brasil grandão  

Vivem escondido num livro sem marcação  

 

Mas hoje eu pergunto , por acaso você , caro leitor, já tinha ouvido alguma coisa sobre ela?

Acho que não, meu Brasil ainda não reverência como se deve seus heróis e heroínas de cor, ou credo que não seja o do dominador, esse foi o motivo para celebrar essa Maria,

Maria Firmina. Que não cabe em qualquer lugar  

Cabe é na história, no verso, na nação e no coração do Brasil, pois ela apesar de tudo que fez e foi, morreu só, cega, pobre e sem ser reconhecida.

Não ganhou a alcunha de bruxa como um Machado da Silva, mas bem que ela merecia...

Comentários

Este poema conta uma bela história! A história de uma heroína que viveu no anonimato, assim como tantos heróis brasileiros. Parabéns escritora Keila Rackel por resgatar história tão bela e apresentar essa diva negra a todos nós!

Lorde Égamo | 20/05/2026 ás 18:36
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