Ode ao caminhar de Miguel São arcanjo

Poemas | Ode | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 21 de Março de 2026 ás 18h 31min

Ode ao Caminhar de Miguel

 

No dia em que o céu silenciou seus ventos,

e o mar, em reverência, aquietou seu rumor,

ele veio —

não como trovão, nem como chama,

mas como luz que pisa leve sobre o infinito.

 

Miguel caminhou nas ondas do mar.

E eu vi.

 

As águas, antes indomáveis,

curvaram-se como campos em oração,

e cada gota tornou-se espelho

de uma glória que não se pode conter.

 

Seus passos não feriam a superfície —

antes, despertavam nela um cântico,

como se o oceano reconhecesse

o guardião das batalhas eternas.

 

Eu vi seus olhos,

firmes como o destino,

brandos como a justiça que acolhe

e severos como a verdade que liberta.

 

E naquele instante,

entre o céu que observava

e o mar que se rendia,

eu compreendi o sagrado.

 

Sou testemunha —

não de um milagre apenas,

mas de um encontro entre mundos,

onde o divino toca o humano

sem pedir licença.

 

Ó Miguel,

que caminhas sobre abismos

como quem atravessa jardins,

leva contigo o eco do que vi,

pois minha alma jamais esquecerá.

 

Eu vi.

E ver-te foi eternidade.

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