Ode ao vento que murmura
Outono | Ode | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 06 de Março de 2026 ás 17h 27min
Ode ao Vento que Murmura
Ó silêncio denso, que paira no ar,
Quando o outono veste a terra nua,
E o vento leve começa a soprar,
Trazendo a sombra que a alma flutua.
Nas folhas secas que jazem no chão,
Um sussurro frágil se pode escutar,
Crepita o tempo, finda a estação,
E a verdade parece se afastar.
Tudo, tudo é um véu que se desfaz,
Um sonho breve que a mente teceu,
A ilusão doce que a vida nos traz,
Um brilho falso que logo se perdeu.
Oh, miragem bela, de cores vibrantes,
Que engana o olhar com seu falso fulgor,
Por trás do riso, dos gestos constantes,
Esconde a trama de um fugaz amor.
O chão de outono, tapete calado,
Testemunha mudo do que não se agarra,
O que parece sólido e bem firmado,
Na brisa leve, depressa se esbarra.
Assim se esvai a certeza que anseio,
No crepitar fino que o vento desfaz,
Resta a pergunta, no meu receio,
Onde reside a paz que satisfaz?
Se tudo é sombra, efeito passageiro,
Que valor tem a luta que se empreende?
Só o silêncio, sincero e verdadeiro,
Revela a essência que a vida nos vende.
Comentários
Uau!
Keila Rackel Tavares | 06/03/2026 ás 17:54