Onde estás ó Arqueiro?
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 18 de Junho de 2026 ás 07h 39min
Onde Estás, Ó Arqueiro?
— Rosy neves
Os meus olhos ainda procuram entre as estrelas
o rosto do Arcanjo Arqueiro,
perdido nas vielas invisíveis do mundo,
onde os ventos guardam segredos antigos
e a lua borda silêncios sobre o céu de safira.
Onde estás, ó Arqueiro?
Nas noites do Oriente, caminho sozinha
pelas margens sonolentas de um Bósforo de sonhos,
levando no peito uma lanterna de saudade
acesa com o fogo delicado da esperança.
As mesquitas douradas adormecem sob a névoa,
e os minaretes erguem suas preces ao infinito;
mas meu coração permanece desperto,
escutando o eco distante de tuas asas.
Onde estás, ó Arqueiro?
Será que atravessas jardins celestiais
onde tulipas de prata florescem eternamente?
Ou repousas além das sete constelações,
entre pergaminhos escritos pela mão das estrelas?
Às vezes penso ouvir teus passos leves
sobre os tapetes invisíveis da madrugada;
então minha alma se ergue como uma ave branca,
seguindo o perfume de tua presença.
Ó Arcanjo de olhos feitos de aurora,
se ouvires meu chamado atravessando os céus,
deixa cair uma única flecha de luz
sobre a escuridão dos meus caminhos.
Pois os meus olhos ainda te procuram
entre luas, cometas e jardins do firmamento.
E enquanto o destino não revelar teu rosto,
continuarei a esperar?te,
como espera o mar pela volta do rio,
como espera a noite pelo primeiro clarão do amanhecer,
como espera um coração enamorado
pela doce aparição de seu milagre.