Ortega
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 13 de Maio de 2026 ás 09h 25min
Ortega
Ortega,
o marujo de olhos bordados de estrelas,
carrega nos ombros
a ferrugem azul das galáxias mortas.
Fugitivo Batavo
de uma antiga batalha estelar,
ele atravessa oceanos cósmicos
num navio feito de neblina e sal,
onde os mastros choram
canções esquecidas pelos planetas.
Há nos olhos dele
uma confusão de luas partidas,
ilusões que dançam
como medusas de fogo
no fundo escuro da alma.
Ortega olha o céu
como quem procura um porto
que nunca existiu.
E as estrelas —
essas aves incendiadas do infinito —
caem silenciosas
dentro do peito dele.
Dizem que certa noite
o mar o ouviu chorar.
Não um choro humano,
mas um lamento antigo,
igual ao som
de constelações se quebrando
sobre o dorso do universo.
Desde então,
as marés ficaram mais tristes.
Os ventos aprenderam
o idioma da saudade.
E Ortega continua navegando
entre cometas e ruínas celestes,
com os olhos confusos de ilusões
e o coração perdido
numa estrela que morreu
antes mesmo de nascer.