Orvalho e mar
Saudades | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 19 de Maio de 2026 ás 06h 57min
Orvalho e Mar
De Rosy Neves
O cheiro do orvalho português
ainda ecoa nas ondas do mar,
eu sinto —
como quem respira memórias
suspensas entre a bruma e o sal.
Há um Portugal que não se vê,
que mora no perfume da manhã,
nas gotas que tremem sobre a relva
antes que o sol as leve
de volta ao céu.
E o mar, esse eterno mensageiro,
traz no seu vaivém incansável
o eco de vozes antigas,
de caravelas que partiram
e nunca voltaram inteiras.
Eu sinto —
não com as mãos, mas com a alma —
esse orvalho que atravessa oceanos,
que se mistura com a espuma,
que se torna canto, que se torna saudade.
Portugal é um cheiro que persiste,
uma umidade doce na pele do mundo,
um sussurro que o mar repete
cada vez que a onda quebra
e se desfaz em nostalgia.
Eu sinto.
E no sentir, reconheço:
há pátrias que não se pisam,
apenas se respiram.