Os galhos secos no outono
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 18 de Maio de 2026 ás 05h 56min
Os Galhos Secos no Outono
de Rosy Neves
O outono chega
e os galhos, antes cheios de promessas verdes,
vestem um manto de nudez.
Silhuetas esqueléticas contra o céu que se esmaece,
desenhando um mapa de resistências antigas.
Cada galho seco conta uma história.
A história do sol que acariciou a folha jovem,
da chuva que lavou o pó do verão,
do vento que sussurrou segredos entre o verde vibrante.
Agora, o vento passa
e encontra apenas a aspereza, o eco de um tempo que se foi.
São dedos estendidos, implorando talvez
por um último raio de sol,
ou resignados à despedida lenta.
Não há mais o murmúrio das folhas dançando,
apenas o estalo seco e agudo
quando o pé os pisa,
um som de fim, de ciclo completado.
Mas há uma beleza nessa desolação.
Uma beleza austera, sem floreios,
que revela a estrutura, a essência.
Os nós, as rugosidades, as cicatrizes
de invernos passados, de verões intensos.
Mostram a força que sustenta,
mesmo desprovida de adorno.
Eles são o lembrete silencioso
de que a vida se transforma,
que o vibrante cede lugar ao quieto,
que o esplendor se recolhe
para nutrir as raízes ocultas.
Preparam-se para o descanso,
para a espera paciente da primavera.
Sob o sol pálido do outono,
eles brilham com uma luz diferente,
um brilho de sabedoria antiga.
Observo-os, esses galhos secos,
e vejo não o fim,
mas uma pausa.
Um momento de quietude antes
do renascimento, da nova explosão de vida.
São a tela sobre a qual o céu
pinta suas cores de fogo, de cinza, de melancolia.
Neles, nesse esqueleto gentil,
encontro a poesia do desapego,
a força serena do que fica,
mesmo quando tudo o mais se foi embora.
Eles são a promessa sussurrada
de que, mesmo no silêncio, a vida persiste.