Os olhos do Rei

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 28 de Julho de 2026 ás 11h 43min

Os Olhos do Rei

 

Rosy Neves

 

Ó, meu Deus!

Como escapar dos olhos do Rei,

que são dois faróis acesos,

vigiando a noite e o dia,

sem jamais adormecer?

 

Sua vigília é eterna.

Nem as montanhas escondem meu nome,

nem o mar dissolve meus passos.

Onde me escondo,

lá já repousa o seu olhar.

 

Seu amor me devora

como a noite consome o dia,

como o inverno abraça

a última folha do outono.

É um fogo severo,

que não destrói o corpo,

mas conquista a alma.

 

Estou aflita...

Porque os olhos do Rei

não conhecem distância,

nem esquecimento.

São duas estrelas ardentes

presas no alto do infinito,

procurando-me em silêncio.

 

Se fujo,

eles me encontram.

Se me calo,

eles escutam o rumor do meu coração.

Se choro,

suas mãos invisíveis recolhem

cada lágrima caída.

 

Ó, meu Deus!

Que estranho destino é este?

Temer um amor

que é mais vasto que os mares,

mais antigo que o tempo,

mais profundo que o próprio mistério.

 

E compreendo, enfim,

que ninguém escapa

dos olhos do Rei.

Porque eles não perseguem para condenar,

mas para amar

até a última centelha de esperança

escondida dentro de mim.

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