Outono

Outono | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 11 de Março de 2026 ás 15h 24min

A mão gentil do outono, suave e fresca,

Desce sobre o dossel acima,

Custodiando um beijo sobre as folhas trêmulas

Que se agarram à memória do verão com tanta firmeza.

O sol, agora inclinado, projeta uma névoa dourada,

Iluminando a libertação lenta da natureza,

Enquanto a clorofila começa seu desaparecimento silencioso,

E os verdes cedem lugar a tons de graça ardente.

 

A brisa, mensageira sussurrada da mudança,

Agita-se entre os ramos com um som de suspiro,

E um a um, as jóias pintadas descem,

Para cobrir a terra em tons de ferrugem e vinho.

Elas giram em queda em dança lenta e graciosa,

Liberadas de seu dever, concluídas sua tarefa,

Um último gesto brilhante na luz que se esvai,

Antes de se misturarem ao solo poeirento.

 

A carvalha, o bordo e a birch fina,

São testemunhas desta despedida anual,

Sua vestimenta de verão jogada fora sem lágrimas,

Ou pelo menos assim parece aos nossos olhos atentos.

Mas olhe mais de perto para os galhos descobertos,

Onde houve sombra, agora a estrutura se mostra,

A rede entrelaçada, nítida e verdadeira,

A arquitetura escondida do sol.

 

Os ramos, nus contra o céu azul pálido,

Aparecem como membros expostos ao ar gelado,

Como se a despojamento súbito os deixasse frios,

Uma modéstia repentina que domina a madeira.

Eles estendem seus dedos, ramo por ramo frágil,

Não mais cobertos pelo disfarce das folhas,

E parecem encolher sob o olhar aberto

Das nuvens atentas que pairam em passo solene.

 

A vergonha não é de fracasso nem de perda,

Mas sim da nudez súbita,

A forma honesta revelada para todos verem,

A força oculta que o verão manteve escondida.

A casca absorve o geada da madrugada,

E cada nó e cicatriz é amplificado,

Um testemunho das estações há muito suportadas,

A história silenciosa gravada na madeira.

 

A vaidade do verão é deixada de lado,

A necessidade de deslumbrar e florescer intensamente,

Substituída pela paciência, esperando a neve,

Uma promessa silenciosa sussurrada às raízes.

E assim as árvores permanecem, reveladas e frágeis,

Sua dignidade nua um vislumbre sério,

Até que o fôlego da primavera se agite novamente,

E ordene que os botões tímidos comecem a inchar.

Elas ficam ali esperando, nítidas contra o cinza,

A beleza desajeitada do recém-nudo.

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