Palavras soltas

Poemas | | Valter Figueira
Publicado em 20 de Setembro de 2026 ás 07h 20min

 

Pego palavras soltas no ar
e convido-as a fazer parte
da minha poesia.

São borboletas
numa sincronia estranha
ao meu olhar.

 

Ficam presas na gaiola
do meu pequeno caderno de anotações.
Capturo-as e enfeito as linhas
traçadas por uma máquina.

Surge um poema,
como o voo das borboletas amarelas
rodeando crisântemos avermelhados.

A poesia se desenrola
como um acorde
num violão distante,
um som desatento
a indicar um caminho.

Desenvolvo metáforas no ar,
como se quisesse substituir
o voo das borboletas amarelas
pelo movimento silencioso
das palavras.

Mas elas escapam das linhas,
ganham asas entre os versos
e, por um instante,
já não sei se escrevo a poesia
ou se apenas acompanho
o seu voo.

Comentários

Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.