Pego palavras soltas no ar
e convido-as a fazer parte
da minha poesia.
São borboletas
numa sincronia estranha
ao meu olhar.
Ficam presas na gaiola
do meu pequeno caderno de anotações.
Capturo-as e enfeito as linhas
traçadas por uma máquina.
Surge um poema,
como o voo das borboletas amarelas
rodeando crisântemos avermelhados.
A poesia se desenrola
como um acorde
num violão distante,
um som desatento
a indicar um caminho.
Desenvolvo metáforas no ar,
como se quisesse substituir
o voo das borboletas amarelas
pelo movimento silencioso
das palavras.
Mas elas escapam das linhas,
ganham asas entre os versos
e, por um instante,
já não sei se escrevo a poesia
ou se apenas acompanho
o seu voo.