Pintando a vida num papel
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 13 de Março de 2026 ás 05h 14min
Pintando a vida num papel...
O papel em branco,
como a manhã que ainda não se decidiu,
espera a cor que eu ousar trazer.
Pincel na mão,
leveza de quem sonha em voar,
não mais preso ao chão da rotina.
Sou borboleta agora,
asas finas tingidas de desejo,
desenhando curvas no ar estático.
Um toque de azul celeste,
o céu que me inspira a leveza,
espalha-se na tela da existência.
Depois, o amarelo do sol,
alegria que insisto em carregar,
ponto de luz no canto incerto.
As pinceladas são passos,
pequenos saltos sobre a vastidão,
cada cor um sentimento escolhido.
Brinco de ser a própria tinta,
misturando tons na paleta da alma,
o medo se dissolve em aquarela.
O universo, grande e silencioso,
torna-se meu jardim particular,
onde cada linha é uma pétala.
Desenho rios de prata e verde musgo,
a força da água que não para,
a teimosia da vida em seguir.
O mar revolto, um roxo profundo,
a sombra das dúvidas passadas,
suavizado com um branco de perdão.
Não sigo regras de perspectiva,
a lógica fica para os engenheiros,
eu sigo a dança do meu pulso.
Se a linha treme, é a emoção viva,
a imperfeição que me torna real,
o rascunho do que ainda serei.
No canto superior, um traço dourado,
a esperança que insisto em manter fina,
brilhando contra o tecido do tempo.
Cada borrifo é um riso solto,
cada mancha é uma história contada sem palavras,
um segredo íntimo com o papel.
E quando o dia de pintar se finda,
o papel respira cores,
não mais vazio, mas pleno de voos.
Sou a borboleta que pintou a si mesma,
deixando a marca leve de sua passagem,
um pequeno universo criado com tinta e ar.
E o universo, ah, ele sorri de volta,
percebendo a audácia singela de quem ousou colorir sua imensidão.