Poetas do sertão
Poemas | 2025 - Fátima Cordelista e Convidados - Versejar é preciso | Manoel R. LeitePublicado em 10 de Janeiro de 2026 ás 17h 43min
Poetas do sertão escrevem com o sol
usam a seca como metáfora do mundo
fazem da dor um verso caminhante
e do chão rachado nasce a palavra firme
não precisam de luxo nem papel caro
basta o ouvido atento e a memória viva
cada sílaba carrega poeira e esperança
cada rima conhece o peso da luta
o verso nasce no meio da feira
no banco da praça, na porta da casa
corre de boca em boca como notícia antiga
aprende cedo a não pedir licença
há poesia no aboio e na despedida
no canto do galo e no silêncio da tarde
o cordel não se curva ao esquecimento
é raiz que insiste em crescer
mesmo quando o tempo tenta apagar
poetas do sertão falam com o povo
sabem que palavra também alimenta
versam para não perder a história
para que a voz simples não se cale
o papel aceita, mas a alma guarda
cada estrofe é um gesto de resistência
um jeito de existir sem se render
versejar é preciso como água
como sombra no meio-dia
como fé no meio da estrada
e enquanto houver sertão e palavra
haverá poeta em vigília
costurando o mundo em versos.