Sinopse:Um confronto entre razão e emoção revela que, por trás de toda negação.
Pulso
Alguém disse que palavra bonita não tem valor,
que amar é delírio, desatino e dor;
que todo engano termina em aflição,
e que o coração nunca tem razão.
Que tudo passa, que nada fica,
que a vida é breve e nunca explica;
que nada tem graça, nada tem cor,
se não houver freio na emoção ou amor.
Então respondi: não fales assim,
há contradição no que dizes a mim;
pois quem condena o sentir com tanta negação
é porque ainda carrega pulsando o próprio coração.
Se amar é insano, como afirmaste,
por que teu olhar em mim repousaste?
Se tudo é ilusão, frágil vapor,
por que te inquieta ouvir falar de amor?
Na vida somos eterna canção,
o resto é apenas guarnição;
o que nos veste é circunstância,
mas o sentir é nossa substância.
E ele, tão firme no seu dizer,
calou-se ao me ver sustentar o viver;
a razão que usava como proteção
tremeu diante da própria emoção.
No silêncio que tentou manter,
seu olhar começou a ceder;
e ali, sem discurso ou explicação,
foi o coração quem venceu a negação.
—
O que é essência pulsa — o resto é ruído.