Qual é o mistério das areias do deserto?

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 07 de Março de 2026 ás 19h 18min

Ó meu Deus, a areia murmura, 

um sussurro quente sob o sol inclemente, 

e eu pergunto ao vento que varre o deserto, 

quantos segredos o Nilo escondeu 

em suas águas lentas e marrons? 

 

Quantos mistérios habitam 

as entranhas escuras das pirâmides? 

Pedras maciças, empilhadas por mãos esquecidas, 

guardando o sono de faraós 

cujas faces o tempo apagou. 

 

Vejo as colunas de Karnak, 

altas como árvores petrificadas, 

e os hieróglifos dançam na pedra, 

símbolos que parecem sorrir para mim, 

mas cujas chaves perdemos há eras. 

 

Quem eram eles, realmente? 

Os escribas com seus papiros frágeis, 

os artesãos que poliram o ouro de Tutancâmon, 

os sacerdotes que falavam com Rá, 

o deus sol, em rituais de fumaça e cânticos graves? 

 

Eu olho para o olhar fixo da Esfinge, 

corpo de leão, rosto de homem sereno, 

e sinto o peso de milênios sobre seus ombros de pedra. 

O que ela viu passar? 

As cheias, as secas, o florescer e o declínio. 

 

Os sarcófagos selados, 

a múmia envolta em linho, 

o coração pesado na balança de Ma'at, 

a verdade, a ordem. 

Será que o julgamento deles era tão simples, tão claro? 

 

As tumbas de Luxor, cheias de cores vibrantes, 

cena após cena, a vida após a morte pintada, 

o barco solar navegando pelo submundo, 

a promessa de um renascimento eterno. 

Mas para onde foram os barcos? 

 

Ó meu Deus, a areia cobre tudo, 

e a cada grão que o vento leva, 

um pouco mais de nós se perde. 

Quero saber o som da voz de Cleópatra, 

o cheiro das especiarias de Tebas antiga. 

 

Os canais de irrigação, a engenharia sutil, 

a astronomia que mapeava as estrelas com precisão 

para alinhar seus templos com o cosmos. 

Eles tocavam o céu com as pontas dos dedos. 

 

Diga-me, areia antiga, diga-me, rio imutável, 

qual é a verdadeira magia presa nessas areias vermelhas? 

Não é só pedra e pó, é um eco profundo, 

uma sede de saber que nunca se sacia, 

o mistério pulsando sob o silêncio do Saara.

Comentários

Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.