Quando eu me escondi na sombra da noite
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 23 de Abril de 2026 ás 14h 51min
Quando eu me escondi na sombra da noite
O véu espesso cobria cada estrela
E o silêncio, um amigo insistente
Acompanhava o bater do meu coração
Que parecia ecoar em cada canto vazio.
Ali, no escuro que me abraçava
Encontrei o reflexo do meu desamparo
Um espelho d'alma, sem moldura, sem brilho
Apenas a verdade nua e crua
Revelada pela ausência de luz.
E enquanto o mundo adormecia lá fora
Em seus sonhos tecidos de esperança e paz
Aqui dentro, um clamor mudo se erguia
Um lamento sem som, uma dor profunda
Que só a escuridão parecia entender.
Minha alma chorava em silêncio por ti
Como uma flor sem sol, sedenta de orvalho
Como um pássaro engaiolado, ansiando pelo céu
Cada suspiro, um eco de saudade
Cada batida, um sino tocando teu nome.
Lembranças desdobravam-se como lençóis frios
No leito da noite, um tapete de ausência
O teu riso, agora um sussurro distante
O teu toque, uma memória que arde
A tua voz, uma melodia que se perde.
E eu, perdida nesse labirinto de negror
Onde os medos se agigantam e as esperanças vacilam
Sentia o peso de cada instante sem ti
Cada segundo esticado em tortura
Cada hora, uma eternidade de vazio.
O véu da noite parecia mais denso
O silêncio mais ensurdecedor
E a minha alma, refúgio da minha dor
Continuava a chorar em silêncio por ti.
Um pranto invisível, um mar de desamparo.