Quase uma eternidade
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 04 de Agosto de 2026 ás 18h 59min
Quase uma Eternidade
Rosy Neves
Nem que me levasse a vida toda,
e mais os séculos que o tempo não ousou contar,
eu jamais deixaria de amar o Rei.
Se o destino me vestisse de silêncio,
eu aprenderia a conversar com as estrelas.
Se me lançasse ao mar das despedidas,
eu faria das ondas cartas jamais entregues.
Esperaria sem pressa,
como os lírios que florescem escondidos
antes do amanhecer.
Porque o amor verdadeiro
não conhece relógios,
não se curva às estações,
nem se cansa de esperar.
O Rei talvez caminhe por estradas
que os olhos mortais não alcançam;
talvez habite um reino
onde o vento guarda os nomes sagrados
e os arcanjos velam a noite.
Ainda assim, meu coração o reconheceria
no menor sopro de eternidade.
E, quando a última estrela apagar
a sua lâmpada de luz sobre o universo,
meu amor permanecerá aceso,
como uma chama silenciosa
que nem o tempo, nem a distância,
nem a morte poderão extinguir.
Pois há amores
que não pertencem à Terra.
São escritos no céu,
guardados pelo silêncio,
e vivem... quase uma eternidade.